quarta-feira, 29 de junho de 2011

Cacém - Toledo - O primeiro dia de viagem...

Bem, o primeiro dia de viagem dificilmente poderia ter corrido pior,...

...ou será, que como bons tugas que somos, ficava melhor dizer, que "dentro do azar,... tivemos muita sorte?"

Depois de 450 km rolados, e a cerca de 150 do destino, a minha filha simplesmente adormeceu a fazer uma ultrapassagem, embateu no separador central, a mota caiu,  e ela ficou sentada na mota que deslizou tombada sobre o lado direito durante cerca de 50 metros.

Foi uma eternidade até parar, e eu que ía atrás, gritei durante todo o tempo, e acompanhei a mota enquanto ela deslizava pelo chão, esperando a todo o tempo ver a mota começar a rodopiar, e a minha filha partir-se toda!
Felizmente isso não aconteceu!

Ela manteve-se muito calma, como se estivesse adormecida, sentada muito direita em cima da mota e simplesmente se deixou deslizar até a mota parar, 2 ou 3 metros antes de começar o raill (sem protecçoes) do lado direito da estrada, e exactamente no ponto em que iniciava uma valeta muito acentuada.

Não conseguimos perceber porque a mota parou naquele momento, e como é que ela conseguiu ficar sentada na mota durante todo o tempo, não tocando com nenhuma parte do corpo no alcatrão, pois estavam 39 graus de temperatura, como quase sempre acontece nestes casos, contra todas as recomndações, tinha despido o casaco com protecções, e seguia de blusa!

As botas, que não eram próprias para motociclismo, gastaram-se e fez uma pequena queimadela num dos pés, fez um hematoma numa das pernas, e aparentemente os danos físicos ficaram por aqui!





Editado:

Esqueci-me de referir que tudo se passou a uma velocidade de cerca de 110 km hora, com o camião que tinha-mos acabado de ultrapassar ao nosso lado, a conseguir parar antes de a atropelar, e eu igualmente a parar em segurança entre a mota dela e o camião sem cair também, e o pai a ver pelo retrovisor, conseguindo igualmente parar em segurança!

O Camionista Espanhol apanhou um grande susto, e ficou parado até se certificar de que estava-mos bem, protegendo-nos do transito da auotovia enquanto levantámos a mota do chão e fizemos a avaliação de estragos.

Acho que esgotámos mesmo o stock de sorte para estas férias...

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Prontas para vadiar...

Oficina:






Mecânico:

César



Sym Joyride 200 de 2008 com quase 39.500 km pronta para viajar...



 Yamaha Majesty 400 ABS de 2010 com mais de 40.500 km, a aguardar  o momento da partida... 


Suzuki Burgman AN 400 de 2007 com 17.000 km, a aquecer os reactores...

sábado, 18 de junho de 2011

1620 km e 520 fotos em passeio pelo norte



De férias finalmente!

Esta coisa da crise teve a virtude de nos fazer reinventar formas de lazer à muito abandonadas, e estou a dar por mim a fazer cada vez mais piqueniques à moda antiga, com a merenda, preparada de véspera.

Dia 10 de Junho saímos de manhã, em caravana ordeira com a malta do CPM em direcção à Pia do Urso onde estava combinado mais um piquenique, e foi mais um daqueles momentos que me fazem sempre pensar, o que estaria a fazer naquele momento, se um dia não tivesse aprendido a andar de scooter…

A Pia do Urso que visitei pela 1ª vez à 2 anos está a precisar de manutenção urgente, e para provar que à 2 anos o burro ainda tinha as 2 orelhas e que o urso era saudável e não tinha qualquer problema de pele, deixo-vos aqui as provas que reuni na altura:



Voltar à pia do urso é sempre um processo emotivo, pois a 1ª vez que lá fui, foi por ocasião de um dos últimos passeios que fiz com a minha mãe, e é já a 2ª vez que lá volto depois disso na companhia do CPM.

Depois do piquenique, a malta rumou a Fátima, e nós ainda por lá passámos também, mas a confusão era muita, e como eu tenho uma séria alergia a Fátima e outra a multidões, desistimos de parar e rumámos a Vieira de Leiria acabando por nem nos podermos despedir da malta.



Sábado é dia de praça, e como tínhamos uma suspeita de visitas no dia seguinte, acordámos cedo e fomos abastecer a despensa, mas depois de almoço rumámos a Fátima, onde de manhã tinha sido batido um recorde para o Guiness, reunindo mais de 2.300 motorizadas clássicas no santuário.



Ainda chegámos a tempo de ver e fotografar algumas beldades,





e também algumas caixas de esmolas…




…não gosto de Fátima!

No dia 12, tal como tinha dito no CPM, estivemos entre as 10:00 e as 11:00 numa das esplanadas da praia, mas a malta da zona centro é tímida e não apareceu ninguém apesar de estar um belo dia.

Depois fomos ao supermercado, e apareceram-nos por lá os companheiros Gonçalves que já conheciam a zona e resolveram juntar-se ao grupo que já nos tinha avisado que viriam dar-nos o prazer da sua companhia ao almoço.


Foi muito fixe, porque eu e a cozinha não somos nada amigos, e assim arranjei cozinheiro para a caldeirada que tinha previsto para a malta, e ficou muito boa!



A Paula andou em trabalhos forçados, a limpar o quintal que estava ao abandono desde Outubro… tão depressa não vai querer lá voltar…

Depois de almoço fomos mostrar algumas vistas da zona aos companheiros, e depois acompanhámo-los até perto da Nazaré.


Segunda-feira foi dia de preguiça.

Andámos pela praia de manhã, e quando estávamos no supermercado a decidir o que levar para o almoço, ligaram-nos os companheiros Marques a dizer que estavam a 130 km de distância.
Como 2ª feira não é dia de peixe, optámos por uma grelhada mista de carnes de porco, já que Vieira de Leiria é também uma terra de criação de porcos e a carne é muito macia e gostosa, e passámos a tarde em companhia dos sempre bem dispostos companheiros Marques.



No dia seguinte, acordámos tarde, e fomos até à praia tomar café antes de almoço, mas acabámos por almoçar por lá e andámos a passear no areal, e como as traineiras andavam na faina, resolvi fotografar uma faina completa.





Só que,… enquanto que antigamente a volta da traineira era pequena, e pouco demorada pois as redes também não eram grandes, porque eram puxadas a força de braços e bois, agora existem os tractores, e as redes são enormes, e a volta da traineira é também grande e muito mais demorada.

Assim, a faina durou a tarde toda, e acabámos por adormecer ao sol à espera…

Digamos que consegui o que queria, e fotografei tudo, mas tão depressa nenhum de nós vai esquecer, pois o escaldão que apanhámos vai ficar-nos na memória por muito tempo, e como estava vestida mas com as calças arregaçadas, fiquei com um verdadeiro “fato alentejano” marcado no corpo, e agora parece que estou de meias calçadas!!

As dores acompanharam-nos o resto das férias...



Quarta-feira partimos com destino a Foz Côa, que ainda nenhum de nós tinha visitado.

Como tínhamos uma escapadinha “A vida é Bela” oferecida pela filhota no natal, marcámos alojamento e fomos conhecer as gravuras "que não sabem nadar".

A viagem foi espectacular, e ainda consegui filmar alguns bocados, mas a maior parte do tempo limitei-me a apreciar o lindíssimo trajecto de curvas e contracurvas absolutamente deliciosas de fazer na Zuky.




Mais uma vez o almoço foi um pic-nic à moda antiga à sombra de uma árvore


e já em Vila Nova de Foz Côa deixámos as bagagens na pousada de juventude e fomos marcar a visita ás gravuras para o dia seguinte.


Depois, ainda deu tempo para descer até à margem do Douro, e ainda para fazer a íngreme estrada que nos leva à Foz do Côa, onde ainda existem restos daquela que em tempos foi a estação da CP.




Sem dúvida um belo passeio, e um local que vale a pena visitar.

Acordámos no 7º dia destas mini férias em Foz Côa, na pousada de juventude, e fomos logo de manhã  ver as gravuras.
 

Tivemos sorte, e o guia que nos acompanhou era muito conhecedor, e mostrou-nos o que havia para ver, com explicações realistas, que nos ensinaram muito sem entediar ou deixar em dúvida sobre a autenticidade das conclusões. Excelente profissional!


Ao meio-dia partimos, para mais uma viagem deliciosa, de curvas lindas para fazer de “pijama”, e cada vez gosto mais de andar de maxiscooter.




O destino era Requiás, em Espanha junto à fronteira para visitar familiares e em particular uma prima que recentemente sofreu um AVC, encontrando-se em recuperação.




Ultimamente parece que os deuses andam a distribuir AVCs na minha família, e este foi já o 3º num curto espaço de 5 meses, mas felizmente os 3 afectados estão a recuperar bem.
Requiás é uma bonita aldeia espanhola,

"irmã” da bonita aldeia portuguesa de Pitões das Júnias, onde pernoitámos em casa de familiares.

Acordámos cedo em Pitões, e resolvemos vadiar a pé pela aldeia.

Está tudo muito diferente daquilo que me recordo de 23 anos antes, e do ponto de vista do turista, muito se perdeu, mas há que admitir que para os locais, a vida melhorou muito.

Há 23 anos, encontrei os garotos na rua, com as calças abertas atrás, para que não tivessem que se despir para fazer as necessidades, bastando agachar-se. Tinham as maçãs do rosto cheias de “crostas”, do ranho que limpavam com as mangas, e andavam sujos e descalços pelas ruas, partilhando-a com as vacas que saíam de manhã para o pasto e regressavam sozinhas ao fim do dia para as “cortes”, debaixo das habitações dos aldeões, onde pernoitavam.

A maioria das habitações eram de pedra, e muitas ainda tinham telhados de colmo, e as vacas com longos e assustadores cornos andavam livres pelas ruas, enchendo-as de urina e fezes que se colavam aos sapatos e ás cavas das rodas dos poucos carros que por lá circulavam.

São estas as memórias que guardo da aldeia que hoje é apenas mais uma aldeia turística de Portugal, com antenas de televisão analógica e TDT por todo o lado, onde as cortes do gado deram lugar a modernas garagens que albergam modernas viaturas.

As vacas estão agora reunidas fora da aldeia, em modernos estábulos onde nada falta, e as poucas que ainda circulam pela aldeia ao fim do dia já nem sequer aqueles cornos de dimensões assustadoras ostentam.


O progresso tem destas coisas, e sem dúvida que para os aldeões a qualidade de vida melhorou muito, mas para o visitante, a aldeia perdeu muito do interesse que tinha.

Posso considerar-me privilegiada, porque conheci não só Pitões das Júnias, mas também Piódão ainda em estado “semi-selvagem”…
 



Já perto do meio dia partimos com destino a Vieira de Leiria onde iríamos pernoitar, e o programa do dia era vadiar sem pressa, encher o olho de lindas vistas, e o cartão de memória da kodak de lindas memórias fotográficas, mas o S. Pedro não esteve pelos ajustes, e ainda em Espanha começou a borrifar-nos com chuva e nevoeiro, que durante todo o dia nos acompanhou.

Até à hora do almoço ainda deu para alguns registos, mas depois do almoço, tive que guardar a kodak, pois o dilúvio que nos acompanhou desde o Gerês até Monte Real não deu tréguas!

Ainda no Gerês tivemos uma desagradável surpresa! 

Resolvemos passar a fronteira na Portela do Homem, para fotografar uma cascata onde à 23 anos demos uns mergulhos que nos ficaram na memória, mas quando chegámos à antiga fronteira, já debaixo de muita chuva, lemos uma discreta informação da existência de uma “portagem”, para o pagamento da qual deveríamos preparar o pagamento, e cerca de 200 metros depois, encontramos uma barraquinha, em tudo semelhante à que há 20 anos fomos encontrar no cimo do monte Vesúvio, (depois de uma caminhada de meio dia a pé, a subir em trilho de cascalho), onde sem qualquer aviso prévio nos era exigida uma quantia em dinheiro para espreitar para dentro da cratera.

Pois no Gerês, sem qualquer aviso prévio, e bem ao jeito da máfia napolitana, extorquiram-nos 1,50 € por cada mota para atravessar 3 km de estrada, e ainda por cima nem sequer o direito a fotografar o local nos é reconhecido pois durante os 3 km que cobram é expressamente proibido parar!









Fui lá para fotografar, paguei 3 euros e voltei sem a foto!!!

Ainda me cruzei com uma manada de cavalos selvagens, mas sem poder parar nem sequer nos é permitido apreciar a experiência, paga a preço de ouro! Afinal pagamos o quê? … O ar puro que respiramos? Pensava que isso ainda era gratuito, mas aparentemente ando desactualizada.

Senti-me envergonhada, e assim que tiver disponibilidade irei certamente apresentar reclamação, pois na verdade já não tenho capacidade para absorver mais abusos destes! Sou diariamente assaltada, e não é por aqueles que quando são apanhados, vão a julgamento! Estes ladrões que diariamente e sem qualquer pudor me assaltam, fazem-no a coberto de decretos-lei, e legitimados por uma suposta legalidade, de moralidade duvidosa, e cada vez mais, sem qualquer pudor, como se se tratasse de uma coisa naturalíssima, pedir dinheiro por tudo, e novamente pedir dinheiro por nada!

Afinal, para que serve aquela parcela que todos os meses me retiram do salário, supostamente para assegurar as condições de vida em sociedade?...

Enfim, chegámos a Vieira de Leiria ensopados, depois de um dia inteiro debaixo de chuva intensa, e acabámos por optar pelas auto-estradas portajadas, mais uma vez pagando aquilo que afinal já pagámos com os nossos impostos, mas a falsidade é completa, e alternativas verdadeiras não existem, pois o bocado que ainda fizemos nessas supostas alternativas, só sobrevivemos sem mazelas porque os muitos cabelos brancos que já temos nos dão uma experiência sensorial que só mesmo a experiência de vida pode dar…

Á entrada de uma rotunda, sentimos um forte cheiro a gasóleo, reparámos numa camioneta de caixa aberta “encostada” a um poste, e só deu tempo de desacelerar, sentir as motas escorregar. A minha ia à frente, e ainda andou a dançar, mas felizmente é muito estável, e eu também já conquistei o “nível 1 do kit de unhas” e em vez de me assustar e travar para logo cair, limitei-me a desacelerar, e com o corpo endireitar a mota sem tocar no travão. Consegui contornar a rotunda e passar entre o camião e o candeeiro caído, agachando-me para passar por baixo do fio tombado, e depois seguiram-se alguns km de estrada molhada e com uma faixa de gasóleo perfeitamente visível e cheirável.

Foram km de muita prudência, com enlatados apressados a fazerem-nos razias, sem entender o porquê de avançar-mos devagar e com as luzes de emergência ligadas!...

Felizmente correu bem, mas as fotos acabaram mais cedo do que previsto.